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Binance arca com o maior roubo de criptomoedas da história — e fundos dos usuários parecem estar a salvo

A Binance tomou medidas para limitar as consequências do maior roubo de criptomoedas da história, revelando no sábado que repôs cerca de 90% dos US$ 6,3 bilhões (R$ 34,3 bilhões) perdidos de suas carteiras quentes nesta semana e que nenhum usuário perderá dinheiro.

O ataque ocorreu pouco depois das 20h05 UTC do dia 29 de outubro, quando hackers invadiram as carteiras quentes da Binance e roubaram cerca de US$ 6,3 bilhões (R$ 34,3 bilhões) em tokens em questão de minutos. Inicialmente, o incidente foi atribuído ao hackeamento de um laptop de um funcionário, mas posteriormente foi admitido que se tratava de um ataque de maior escala.

Como a Binance cobriu o prejuízo

A Binance reservou US$ 6,34 bilhões de seus próprios recursos corporativos, incluindo US$ 5 bilhões nos mesmos tokens (USDC, USDT, BTC, ETH e BNB). O restante foi adquirido por meio do mercado e de fontes OTC. A empresa utilizou seu tesouro corporativo, parte do Fundo de Ativos Seguros para Usuários (SAFU) e parte do fundo de seguro de futuros. “A Binance cobrirá todas as perdas. Os usuários não perderão nenhum dinheiro”, afirmou um porta-voz da Binance.

O co-CEO da Binance, Richard Teng, confirmou o valor de 90% no X e disse que eles estão “comprometidos em cobrir os 10% restantes”. Todos os fundos dos clientes em BTC, ETH, USDT, BNB, SOL, USDC, XRP e mais alguns ativos estão agora 100% cobertos. Os saques foram suspensos, mas devem ser retomados no domingo.

Os usuários brasileiros estão seguros

Como a Binance detém uma posição dominante no mercado brasileiro de criptomoedas, controlando mais de 50% do volume de negociação no país, houve uma reação imediata em São Paulo. No entanto, a Binance Brasil, a filial brasileira da Binance, afirmou que os ativos dos clientes brasileiros são mantidos em carteiras frias e estão separados de acordo com as normas do Banco Central. Isso significa que eles não foram afetados pela perda. No entanto, a empresa suspendeu os saques de criptomoedas para usuários brasileiros. Curiosamente, a Binance apresentou seu pedido para se tornar uma Prestadora de Serviços de Ativos Virtuais ao Banco Central poucos dias antes do prazo final de 30 de outubro de 2026.

As evidências apontam para Pyongyang

O FBI informou que o roubo foi realizado pelo TraderTraitor, um grupo de hackers patrocinado pela Coreia do Norte. A Elliptic estima que os hackers tenham convertido cerca de US$ 786 milhões em moedas menos rastreáveis, enquanto as emissoras de stablecoins Tether e Circle congelaram cerca de US$ 3 bilhões desses ativos. Quando a Coreia do Norte comete roubos nessa escala, isso “alimenta a proliferação de armas”, afirmou Ari Redbord, chefe de políticas da TRM Labs.

O que vai acontecer agora?

A Binance retomará os saques gradualmente nas próximas horas, informou a corretora no domingo. Esta é a primeira vez que ela reativa seu sistema de saques desde que ele foi desativado às 22h15 UTC do dia 29 de outubro, após o ataque cibernético que resultou em um prejuízo de US$ 6,3 bilhões. A Binance divulgou um novo instantâneo da prova de reservas. No entanto, a prova de conhecimento zero completa está sendo elaborada no momento e deve ser divulgada na terça-feira. Esse evento coloca a maior corretora do mundo à prova para verificar se ela consegue manter a confiança dos clientes após uma violação muito maior do que o incidente de 2019, quando a empresa arcou com a perda de 7.000 bitcoins. A mensagem da Binance é clara: suas reservas de criptomoedas absorveram o impacto, e os fundos dos clientes estão seguros.

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